Com a industrialização, muita lã foi desvalorizada, perdendo-se o seu encanto e o seu reconhecido valor térmico e acústico. Exposição que celebra a herança da lã e o papel vital da mulher na preservação das artes têxteis. Foram convidadas a participar nesta celebração 8 mulheres – 4 portuguesas e outras 4 de distintas nacionalidades europeias. Os objetos destas artistas, com reconhecimento nacional e internacional, deslocam-se para um local bucólico num diálogo construtivo e de desapego às fronteiras territoriais – encontro da arte e com a arte como espaço de liberdade, igualdade e fraternidade. As obras mostram a versatilidade do fio, fazendo referências: ao vestuário, à construção e decoração; às mantas e tapetes; ao tricô; a aplicações na agricultura (composto biodegradável); à Tapeçaria de Portalegre.
A artista Suíça Cláudia Lima, traz esculturas e quadros da série 4 Estações que enchem de cor este espaço telúrico que ontem permitia a farinha para confecionar um alimento tão fundamental como o pão. Hoje lembrando-nos da importância do fazer devagar. Devagar, como exigem todos os ofícios de quem com os fios comanda as suas vidas.
As obras de Cláudia Lima são de flocos de lã? Não, mas poderiam ser! E a cor, de onde vem a cor? “Tive várias fases, na fase da infância, a alegria e a tapeçaria. Depois vim para a Europa, trazia toda aquela cor mas adquiri novas cores mais europeias.” Em 4 Estações a tapeçaria não está mas, anuncia-se. É a plasticidade do têxtil – Arte Têxtil – sempre a Arte Têxtil! Cláudia trouxe para Lisboa e, agora, para o Alentejo, as cores e texturas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Claúdia Lima (1956), é uma artista suíça-brasileira com relevante trabalho no domínio da arte têxtil. A sua obra reparte-se por pintura, escultura e tapeçaria. Em criança frequentou a Escola de Arte Infantil do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro MAM Rio), entrou em exposições e foi premiada (1966-1969). Ainda no Rio de Janeiro, licenciou-se em Direito, no ano seguinte, fixou residência em Lisboa e foi para o Curso de Pintura e Design do Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual (1980-1984). Enquanto Bolseira da Fundação Gulbenkian frequentou a Ecole Nationale d’Art Decoratif em Aubusson (1984-85). Participou em diversas exposições colectivas e individuais, não só em Portugal (Museu Tavares Proença Júnior, Museu de Viseu, Museu de Lamego, Museu de Évora, Museu do Traje e outros) mas também no estrangeiro (Brasil, Angola, Inglaterra, Dinamarca, Alemanha, Polónia, Hungria, Finlândia, Suécia, Itália e Estados Unidos da América). Tem várias tapeçarias desde a sua estadia em Aubusson, utilizando não somente a técnica francesa mas também o bordado de Arraiolos e outras mais experimentais. Participou na 11ª Trienal Internacional de Tapeçaria no Central Museum of Textiles em Lódz (Polónia) (2004). A colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre começou em 2012. Em 2022 integrou a exposição coletiva Arte no Feminino – Conceber e Tecer, Tecer e Conceber (CTTC) no Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino. Atualmente (até dia 14 de fevereiro), a exposição individual No Desafio do Silenciar dos Fios na Casa do Brasil / Pedro Álvares Cabral em Santarém que nos oferece um arco temporal de 56 anos. Tem participado em Residências Artísticas, destacando RAMA. Em regime de voluntariado, dinamiza oficinas de artes plásticas para os beneficiários da Equipa Comunitária de Saúde Mental da Unidade Local de Saúde de Loures-Odivelas.
