Kumina é um solo performativo onde se interroga a história íntima e universal ligada ao desenraizamento, bem como a relação complexa entre os continentes africano e europeu. Puxando o fio da infância, apoia-se numa narrativa de autoficção e em pequenos excertos de autores ligados ao exílio e à colonização para questionar as repetições da história e o nosso desalento comum face às tragédias contemporâneas. Tentando ligar, dentro de uma cronologia própria, o drama das boat people haitianas, o tráfico transatlântico e a tragédia que se vive ainda hoje no Mar Mediterrâneo, a sua narrativa junta-se assim à experiência universal do exílio.
Victor de Oliveira nasceu em Maputo, passou a adolescência em Portugal (onde começou a fazer teatro) e foi terminar a sua formação de ator no Conservatório de Paris, cidade onde vive desde então. Nos últimos anos colaborou sobretudo com Stanislas Nordey e Wajdi Mouawad. Encenou (e apresentou em Portugal) Magnificat a partir de Fernando Pessoa, Final do Amor de Pascal Rambert, Incêndios de Wajdi Mouawad, Limbo (no TBA, prémios SPA de melhor texto e melhor espetáculo) e As Areias do Imperador de Mia Couto.
